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Como proteger o seu filho da baleia azul

Como proteger o seu filho da baleia azul

Psiquiatra Marcos Liboni afirma que o jogo da baleia azul é um claro ataque à instituição da família

Por Paulo Briguet

Na encíclica “Evangelium Vitae”, publicada em 1995, o papa João Paulo II, santo do nosso tempo, fez uma poderosa condenação do que chamou de cultura da morte, talvez a mais grave doença social que afeta a humanidade. Muitas são as faces da cultura da morte: aborto, drogas, terrorismo, racismo, eugenia, ideologia de gênero, eutanásia, etc. Recentemente, as famílias ficaram alarmadas com uma nova e terrível manifestação da cultura da morte. Trata-se do jogo virtual “baleia azul”, que induz adolescentes ao mais grave e irreparável dos males: o suicídio. Para falar sobre essa aberração da Internet e buscar orientações que nos ajudem a proteger nossos filhos, entrevistamos um grande conhecedor da mente humana, o psiquiatra Marcos Liboni. Veja o que ele tem a dizer sobre o tema:

De que maneira o “o jogo da baleia azul” se insere na lógica da cultura da morte?

Marcos Liboni: A humanidade vive hoje uma época do Pós-traumático. Nunca se matou tanto em guerras e em regimes políticos nos últimos dois séculos. A revolução industrial, em especial na área das tecnologias militares, trouxe ao homem métodos antes inimagináveis de instrumentos de morte e destruição.

Num claro desequilíbrio entre a muito mais lenta evolução e desenvolvimento psicológico do homem e a capacidade destrutiva das armas, estabeleceu-se um ambiente de morte e destruição que, dentro de outros aspectos, ainda existe na nossa realidade.

Ainda que vivamos em um ambiente, em escala global, tranquilo e de paz, a humanidade, com os seus traumas anteriores e os atuais, vive um ambiente propício à autodestruição.

Assim sendo, a lógica deste jogo decorre da materialização do que eu chamaria de “ressonância psicológica” de um inconsciente coletivo do desejo de morte, que hoje se torna exponencial na nossa sociedade e cultura, de modo perverso e muito eficaz pela abertura e fragilidade do universo psicológico dos nossos jovens, principalmente.

Devo deixar claro que a dimensão morte sempre fez parte da nossa constituição psíquica, mas é impressionante o modo como que hoje vários são os instrumentos de convivência social e relacionamento do ser humano que expressam no fundo o mesmo desejo.

Junto disso, o uso disseminado e acrítico das tecnologias de comunicação e entretenimento, sobretudo na negligência e não vigilância dos pais e familiares, deixa expostas as crianças e jovens a esse tipo de conteúdo.

O que os pais devem fazer para proteger os seus filhos dessa ameaça?

Marcos Liboni: Vigilância do uso das tecnologias de comunicação na Internet (em especial), diálogo e a busca de ajuda comunitária e profissional quando necessária.

A utilização das redes sociais e dos jogos eletrônicos têm efeitos sobre o cérebro humano?

Marcos Liboni: Sim. Existe uma preocupação muito grande da medicina, em especial das neurociências, no entendimento do impacto do uso das tecnologias de relacionamento e entretenimento no cérebro humano. Hoje sabemos que muitas pessoas desenvolvem comportamentos adictos, como se fosse uma dependência química, no uso dessas tecnologias. É claro que, quanto mais nova a pessoa, no caso as crianças e adolescentes, maior o risco, pelo fato de seu cérebro, em diversos momentos, estar se desenvolvendo.

Como o sr. analisa o problema do suicídio na cultura contemporânea?

Marcos Liboni: Com muita preocupação. O que no passado era um comportamento e atitude de idosos, pessoas com sofrimento sem tratamento e doenças terminais, além de comportamentos de extremos (guerras, etc.) se entranhou nos mais jovens. Sem dúvida alguma, a cultura que vivemos hoje, que de certo modo é uma cultura de morte (e aí as causas são diversas), além do aumento exponencial das doenças mentais nos mais jovens, aumenta muito o risco para o suicídio.

Na sua análise, a negação do sagrado e os ataques à instituição familiar possuem relação com estes fenômenos da internet?

Marcos Liboni: Sem dúvida alguma. Se a família não estivesse sob ataque social e cultural tão intenso, os nossos jovens, crianças e adolescentes não estariam tão desamparados e expostos ao relacionamento com mecanismos psicopáticos como este jogo perverso, jamais cometendo qualquer ato contra si.

Os nossos filhos devem ter certeza de que são parte de uma instituição que, na realidade, concebeu, gerou, pariu, foi e é a base da civilização humana, que é a família. Não vejo outra razão da existência desse jogo como nada mais de mais um ataque, dos muitos que existem, contra o seio desta estrutura — e, portanto, contra a natureza humana.

Devemos lutar com todas as forças para mostrar aos nossos filhos que são e sempre serão amados. Apesar de toda tecnologia, dinheiro e bens materiais, o que mais importa é o amor e a sua expressão maior, a vida.

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