Você está aqui
Home > Missões > O desafio das Santas Missões

O desafio das Santas Missões

III Retiro das Santas Missões Populares envolve 500 paroquianos no desafio da conversão permanente.

Cerca de 500 pessoas se reuniram na Capela Mãe da Divina Providência, no último fim de semana, para participar do III Retiro das Santas Missões Populares (SMP). Os doze setores da Paróquia São Vicente de Paulo estavam ali representados por líderes das pastorais e paroquianos que aceitaram o desafio da conversão, tema proposto este ano.

“Conversão significa mudar de rota, dar uma guinada na vida; a missão é um processo de conversão permanente. Não há missão sem conversão. Não há transformação sem a libertação em todos os níveis e de todos os males”, observou o coordenador dos grupos bíblicos de reflexão, Edivaldo Rosário de Souza. Ele definiu as SMP como a olaria de Deus. “Nós somos o barro; Deus é o oleiro que vai nos transformar em modelo de discípulos. É preciso abandonar as ultrapassadas estruturas que não permitem a transmissão da fé. Precisamos de uma pastoral decididamente missionária.”

O padre Rafael Solano lembrou que o primeiro passo para a conversão é se sentir parte da comunidade. “Desde que cheguei aqui, há três anos, minha missão é trazer para a comunidade irmãos e irmãs que estão do lado de fora. A Igreja não é de ninguém. É do Espírito Santo”, disse, lembrando que as pastorais precisam de novos integrantes e de novas maneiras de atuar, citando como exemplo as necessidades do bairro Nova Esperança. De acordo com o padre, a paróquia deve assumir o seu compromisso social. “Senão não tem cabimento levar o nome de São Vicente de Paulo.”

Para falar mais profundamente sobre o tema do Retiro, a coordenadora dos servos da Divina Misericórdia, MarlyPupim, apresentou o Evangelho de São Mateus, o evangelho do pecador convertido, o discípulo que nos representa à mesa com Jesus.

“O que distingue o discípulo que segue Jesus? A experiência do chamado e o comprometimento pessoal com Jesus; a relação de comunhão, de amizade e familiaridade com Jesus e com a comunidade. Discípulos se orientam pela palavra; se permitem ser ensinados pelo mestre. Quem busca primeiro o reino de Deus e toda a sua justiça coloca em prática a vontade do Pai, que pede para sermos missionários.”

A Irmã Neiva Maria Fiorentin, missionária claretiana, fez uma importante palestra aos participantes do Retiro, enfatizando o trabalho das pastorais acima de tudo como uma opção de vida missionária. “O trabalho das Santas Missões Populares é uma forma de encontrar o sentido da vida. Sem esse sentido, nós corremos o risco de cair numa anemia espiritual.” A missionária enfatizou a importância de vivenciar uma Igreja em saída, como quer o Papa Francisco. “A vida pede solidariedade, compaixão e misericórdia. É assim que Jesus vivia, levando o amor do Pai a todos.”

Na homilia da missa realizada durante o III Retiro, padre Rafael fez um paralelo entre o atual momento da liturgia e os desafios das Santas Missões Populares: “Nos encontramos no terceiro domingo de Páscoa, e se fossemos lembrar do que aconteceu até aqui, poderíamos dizer que o centro dos três evangelhos é praticamente o mesmo: com uma tendência impressionantemente fatídica: voltar ao passado. No primeiro domingo, vimos um Pedro totalmente decepcionado, mas que que ao chegar na praia avista as brasas e dá um grito: ‘É o Senhor!’; Domingo passado a liturgia nos presenteou com a figura de Tomé. O que aconteceu com aquele homem que viu Jesus caminhar sobre as águas e toma o atrevimento e a ousadia de afirmar: ‘até não ver, não creio? Uma comunidade cética, uma comunidade distante da experiência mais valiosa: a fé.”

“Neste domingo, dois discípulos entristecidos voltando para Emaús. Para fazer o quê? Emaús é uma cidade que hoje não existe mais no mapa; Jerusalém absorveu os onze quilômetros até lá; dois discípulos tristes, decepcionados, sem nada novo para contar. Muitas vezes, nossa comunidade passa por essas três etapas, esses três domingos da Páscoa. E temos que dizer de novo: É o Senhor! Aqui está a única motivação para estas Santas Missões Populares. Elas são cristológicas; não dependem de santo nenhum, de planejamento nenhum, a não ser de uma firme convicção: É o Senhor!”

“Ao longo de três anos como pároco desta paróquia tenho constatado duas alegrias: a São Vicente gerou duas filhas, a capela Mãe da Divina Providência e a São João 23. Não é uma paróquia morta. É uma paróquia viva. Não é uma paróquia do passado, é uma paróquia atual. A São Vicente se estendeu e deverá se estender a cada um dos prédios da Palhano. Esta é a minha grande súplica diária, a minha oração: permita, Senhor, que os paroquianos dessa comunidade te deixem entrar além do interfone, além da campainha, além da cerca elétrica. Para que essa comunidade se torne viva.  E a segunda alegria: a caridade. Em tempos tão difíceis, a nossa paróquia, hoje, ocupa o primeiro lugar na participação no dízimo entre as 84 paróquias da Arquidiocese.”

Padre Rafael revelou ainda suas principais preocupações com os paroquianos que querem voltar para Emaús. Uma delas é o pouco amor pela palavra de Deus: “Os grupos de reflexão estão dizimados dessa paróquia. Não somos protestantes; somos católicos. A interpretação da palavra não é livre, ela motiva a comunidade a vivenciar a lexia (vocábulo) divina. Grupos de reflexão não precisam de 50 pessoas. O que você está fazendo para que o grupo bíblico de reflexão ao qual você pertence se torne uma comunidade de base para leitura, análise e oração? Grupo bíblico de reflexão não é escola; é igreja doméstica. A paróquia São Vicente de Paulo não quer aceitar que a verdadeira revolução nasce nos grupos bíblicos de reflexão. Só ali encontramos uma igreja que cresce como igreja missionária. De que adianta ir à missa aos domingos se a bíblia não está no seu escritório, no seu dia a dia?”

Ao final da homilia, o pároco lançou um desafio aos paroquianos: fazer que as Santas Missões Populares se tornem permanentes. “Não diga nunca que a missão terminou. Assim, nunca mais voltaremos a Emaús. E o nosso coração se alegrará eternamente em uma felicidade sem limites.”

Por Rosângela Vale e Paulo Briguet

Artigos similares

Topo