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A ideologia por trás do aborto

Fundações internacionais têm, na base de suas motivações, o controle da população mundial e a estabilidade do poder no panorama global

          Terminei, pouco antes de redigir este artigo, a leitura do breve, porém, surpreendente livro intitulado ‘Jó, ou a tortura pelos amigos’ de Fabrice Hadjadj que, segundo um amigo, é o maior filósofo francês vivo. Ele transita, através dessa provocadora peça de teatro apadrinhada por Bento XVI, na perversidade do mundo, na vileza do diabo, nas tentações da carne e na surpresa da graça divina causando a alegria humana.

         “Eu estou sempre mascarado”, confessa o diabo a Jó. É disto que se trata a questão do aborto: um jogo de mil máscaras com um só ator angelical trajado de luz por trás da coxia. Ele pode vir trajado com o pretexto de libertação da mulher, com a conhecida justificativa de que a mulher tem direito sobre seu próprio corpo acima de qualquer argumento, com o nome de direito democrático, com a falsa bandeira da luta entre a religião e o Estado, com incontáveis “provas” científicas de que o feto não é humano até tantas semanas, com longas e cansativas páginas de argumentações filosóficas dizendo que o ser humano maduro tem mais direitos que aquela pessoinha no ventre materno, com malabarismos estatísticos que distorcem deliberadamente os números para sensibilizar a população e o espetáculo não terminará até o dia em que o nosso Grande Diretor resolva fazer Novos Céus e Nova Terra, porque a velha serpente, desde o Éden, tem problemas figadais com os filhos da mulher. Não sem razão São J. Paulo II explicou que há “muros de enganos e mentiras que escondem, aos olhos de muitos dos nossos irmãos e irmãs, a natureza perversa de comportamentos e de leis contrárias à vida”.

         Se não me falha a memória, Napoleão, em tempos de guerra, foi aquele  que cunhou o termo ideologia: em poucas palavras, nada mais é que um véu de idéias e ações, talvez uma cortina, que esconde a real intenção secreta do ideólogo. Assim funciona com o aborto. A pergunta que não quer calar é esta: a quem interessa no fim das contas usar artifícios para que se matem crianças inocentes – repito, crianças! – no ventre de suas mães?

         Temos de entender que o aborto é parte integrante e necessária de uma agenda muito ampla e complexa, chamada pelo São João Paulo II de a Cultura da Morte. Na encíclica Evangelium Vitae, publicada em 1995, o então Papa a descreve precisamente como “o eclipse do sentido de Deus e do homem, típico de um contexto social e cultural dominado pelo secularismo” e que “perdendo o sentido de Deus, tende-se a perder também o sentido do homem, da sua dignidade e da sua vida”. Em suma, há uma guerra entre a Cultura da Vida e do Amor e a Cultura da Morte.

         Serei objetivo. Quem ganha não só financeira, mas política e socialmente são os agentes supracapitalistas – multimilionários donos de grandes fundações internacionais –, as clínicas de aborto por todo o mundo, os laboratórios que compram e estudam tecidos de fetos abortados vendidos pela IPPF (Federação Internacional da Paternidade Planejada), os agentes políticos envolvidos com qualquer um desses outros interessados e, claro, os órgãos que militam diretamente com a população: ONGs, como a ANIS e IWHC (International Women’s and Health Coalition).

         Fundações internacionais como Rockefeller, Ford e MacArthur têm, na base de suas motivações, o controle da população mundial e a estabilidade do poder no panorama global. Estas últimas estão muito atrás dos véus ideológicos e são os reais manipuladores atrás das cortinas. As principais fases das ações desses grandes órgãos internacionais foram respectivamente: controle populacional (1952), direitos sexuais e reprodutivos (1974-90) e a política de redução de danos e serviços de aborto seguro como um problema de saúde pública (1990-). Atualmente, um dos braços dessas políticas é o movimento feminista radical, que está sendo usado como ponta de lança para dividir homens e mulheres, buscando consolidar em nossas mentes que a maternidade, nas palavras do Ministro do STF Roberto Barroso, “é um fardo”. 

         Segundo o relatório da própria Fundação Ford, ela investiu mais de 36 milhões de dólares somente no Brasil, a fim de moldar a estrutura social e legal, para chegar o momento em que o país estaria pronto a aceitar a Cultura da Morte. O plano falhou, mas seu trabalho não chegou ao fim. A ONG Anis, da grande promotora do aborto no Brasil Débora Diniz, recebe muito dinheiro dessas organizações internacionais para, sob todos aquelas roupagens ideológicas que mencionei, afrouxar as leis e sensibilizar a população. Ela já conseguiu, através de manobras no STF, “legalizar” o aborto em caso o feto tenha anencefalia e, enquanto escrevo, colocou em curso mais duas ações no Supremo: uma que “legalizaria” a prática caso a gestante for portadora do vírus Zika e a segunda, em conjunto com o PSOL, que enseja liberar em todo território nacional, em quaisquer casos, a prática do aborto até 12 semanas (3 meses).

         Não posso deixar de alertar a todos os de boa vontade que a reforma do Código Penal, de autoria de José Sarney, em trâmite no Senado, legaliza o aborto na prática ainda que continue enquadrando-o como crime. Basta ler os artigos 125 à 128, do PLS n° 236/2012. Fiquem atentos!

         “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados”, urge  Provérbios 31:8. O feto é a minoria das minorias, os mais indefeso e inocente. Sem voz. Conclamo a todos sem qualquer exceção que, não somente leiam com a mais dedicada atenção palavras da Evangelium Vitae a seguir, mas que separem um momento para lê-la na íntegra, a fim de compreender aquilo que o Papa chamou de “estrutura de pecado”.

         “Urge uma mobilização geral das consciências e um esforço ético comum, para se atuar uma grande estratégia a favor da vida. Todos juntos devemos construir uma nova cultura da vida: nova, porque em condições de enfrentar e resolver os problemas inéditos de hoje acerca da vida do homem; nova, porque assumida com convicção mais firme e laboriosa por todos os cristãos; nova, porque capaz de suscitar um sério e corajoso confronto cultural com todos. A urgência desta viragem cultural está ligada à situação histórica que estamos a atravessar, mas radica-se sobretudo na própria missão evangelizadora confiada à Igreja.” [Cart Enc. Evangelium Vitae (25 de março de 1995), 95).

         Os pequeninos não podem esperar, pois não podem clamar! A vida, irmãos e irmãs, não pode e não deve esperar. Mãos à obra.

 

Por Bernardo Pires Küster

Foto: My Modern Met

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