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PLANTANDO SOLIDARIEDADE

Com auxílio da Cáritas, 92 famílias da zona Sul de Londrina colhem alimentos frescos do próprio quintal

 Assim que a caminhonete da Cáritas estaciona, Tatiana Moraes abre um sorriso recebe a equipe no portão. Os voluntários vêm trazer leite especial para o bebê dela, que é alérgico. A dona de casa reúne a família e rapidamente segue para a horta, que está verdinha. Matheus, de oito anos, gaba-se, pois a alface que ele plantou é a maior de todas. “Estou ensinando meus filhos a cuidar da horta e espero que, quando eles crescerem, façam o mesmo também”, diz Tatiana. O marido dela, Moisés Moraes, é fotógrafo e não estava conseguindo enxergar. Ganhou tratamento com oftalmologista e também os óculos. “Sou muito grato a todas as pessoas que ajudaram”, relata com alegria.

Dez anos atrás, o diácono Sirineu Pedrazani soube de um projeto de hortas comunitárias, na Suíça, para famílias pobres. A semente estava plantada. Ele criou um projeto parecido para a Cáritas Diocesana de Londrina. No começo, apenas cinco famílias decidiram participar do acordo: criar uma horta no quintal para, em troca, receber o apoio de voluntários que trazem alimentos, fraldas, roupas e viabilizam atendimento médico, se necessário.

As hortas floresceram e mais pessoas aceitaram ajuda e apoio técnico para plantar legumes e verduras em casa. Nove mil mudas de hortaliças foram distribuídas, além de sementes. Atualmente, 92 famílias que moram no Conjunto Nova Esperança e proximidades participam. O número de voluntários também se multiplicou! São 40 coletando e distribuindo donativos. Durante as visitas, eles verificam se as hortas estão bem cuidadas, pois esta é uma condição para que as famílias se mantenham no projeto.

José Ronchi foi um dos primeiros voluntários a participar. Ele conta que cresceu na área rural e se realiza ao poder ensinar as técnicas de cultivo de hortaliças a outras pessoas. “Esta é a verdadeira caridade, a partilha que Jesus nos ensinou”, reflete o aposentado. A cada visita, os voluntários fazem uma oração, junto com a família atendida, para agradecer às pessoas que contribuíram para aquele momento e pela graça de estarem reunidos. Eles ainda pedem a Deus que não deixe faltar alimentos.

Moradores de uma ocupação na Zona Sul de Londrina também são atendidos. É o caso do Claudinei da Silva, que trabalhava na construção civil e ficou desempregado. A família passa por uma situação financeira difícil, mas a horta trouxe novo ânimo. Atrás da casinha, construída com retalhos de madeira, ele planta feijão, quiabo, mandioca, verduras e temperos. “Se não fosse a horta eu poderia estar em depressão. Foi Deus quem colocou essas pessoas na nossa vida”, agradece Claudinei.

Quem tem menos espaço para plantar, improvisa. Dona Maria Madalena dos Santos Reis fez uma horta suspensa, com rúcula e alface plantadas em suportes feitos de garrafas pet. “Eu deixei o espaço no fundo da casa para plantar frutas e açafrão. Eu mesma fiz mudas de macieira com as sementinhas de uma maçã”, conta a mãe de três crianças. Nas refeições da família sempre tem salada, feita com muito amor e nenhum veneno.

 

Lívia Oliveira

 

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