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Refugiados venezuelanos chegam a Londrina

Eles se somam a imigrantes de outras nacionalidades à procura de trabalho para ajudar parentes nos países de origem

Neste  ano, a Cáritas de Londrina recebeu 63 novos refugiados. A instituição católica auxilia com a documentação e também com um socorro inicial de remédios, comida e roupas. A maioria vem de países como Haiti, Moçambique, Cuba, Senegal, Bangladesh, Síria, Colômbia e agora, também, da Venezuela. Segundo Deusa Fávero, gerente da Cáritas, são aceitas pessoas de qualquer nacionalidade e de qualquer religião. “Não existe um programa de encaminhamento para o mercado de trabalho, mas nós ajudamos com os trâmites”, explica.

Dannys Aguilar deixou mulher e dois filhos na Venezuela para tentar recomeçar a vida no Brasil, decisão difícil que o emociona bastante. Lá ele trabalhava em uma indústria de alimentos e era dono de uma lanchonete. Mas a crise ocasionada pelo governo ditadorial de Nicolás Maduro avançou de tal forma que, segundo ele, a alimentação passou a ser racionada e os produtos de higiene se tornaram artigos de luxo. “A prioridade, para nós, é a comer. Mas come-se pouco, porque tudo é caro e é preciso enfrentar fila até para comprar pão”, conta Dannys. Por enquanto, ele vende lanches aqui em Londrina e tenta mandar dinheiro para casa, na Venezuela. Mas espera que a família consiga documentação para entrar legalmente no Brasil “para ver os lagos, as paisagens, e comer tudo o que tenham vontade”, diz com esperança.

A crise política na Venezuela está provocando uma fuga em massa para o Brasil. O número de pedidos de refúgio de venezuelanos para cá saltou de 829 em 2015 para quase 4.000 até maio deste ano, segundo o Ministério da Justiça. A maioria procura estados do norte do país. Mas muitos já estão buscando oportunidades em outras regiões.

O refúgio é uma proteção concedida por alguns países a imigrantes que estão sendo notadamente perseguidos por questões de raça, religião, grupo social ou posições políticas.  Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Dinamarca, EUA, Finlândia, Holanda, Irlanda, Islândia, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Suíça e, em breve, Paraguai e Uruguai, oferecem cotas anuais de reassentamento, além da aceitação das pessoas que chegam espontaneamente às suas fronteiras. 

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, o número de pessoas que fugiram para o Brasil aumentou 9% de 2015 para 2016, chegando a 9.689 pessoas. O número de pedidos de refúgio aumentou 23%, no mesmo período, passando dos 35 mil. A entrada de estrangeiros no Brasil, para fugir de conflitos nos seus países de origem, vem aumentando. Um fenômeno comum também em outras partes do mundo. A ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que, no ano passado, mais de 65 milhões de pessoas tenham saído de casa devido a guerras, violência ou perseguição. 

A professora Rosana Baeninger estuda as migrações há mais de trinta anos e explica que o Brasil nem sempre é o destino final, apenas uma passagem. Mas neste cenário de crise global acaba sendo uma escolha porque os países do hemisfério norte têm limitado a entrada. A pesquisadora da Unicamp esteve em Londrina para um evento sobre o tema, realizado na Universidade Estadual de Londrina. Segundo ela, o preconceito e o estranhamento contra os estrangeiros só serão superados quando todos nós tivermos acesso às políticas sociais. “À medida em que os nacionais tiverem moradia, saúde, educação, os imigrantes também poderão ter acesso a esses mesmos espaços. E isso faz com que nós ampliemos nossa visão de mundo e passemos a entender que faz parte do século XXI a convivência com outros povos”, resume.

 

Por Lívia Oliveira

 

 

 

 

 

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