Projeto busca ampliar os horizontes de crianças e adultos com atividades por meio da leitura

Um livro, um roteiro, doze participantes, doze encontros e milhares de oportunidades. Este é o objetivo das Rodas de Leitura promovidas pela Todos por Um (Tp1), uma associação que busca fortalecer as relações sociais da população londrinense.

Com uma estrutura interativa, o formato do projeto foi criado pela Fundação Geniantis, de São Paulo (SP), no final dos anos 1990. Na capital paulista, por exemplo, existem mais de 900 rodas. E foi a Tp1, há cerca de dois meses, que trouxe a ideia para Londrina. Com pouco tempo de existência, a associação já conta com um acervo de 600 livros, todos doados pelos criadores. Estes livros ficam no escritório da associação, em um espaço cedido pela Juntus Coworking, especialista em compartilhar espaços para empresas desenvolverem os seus negócios.

Nas Rodas de Leitura, nada é por acaso. Os interessados no trabalho voluntário recebem um treinamento para se tornarem mediadores das atividades, além de seguirem um roteiro de trabalho feito pela Geniantis. Os livros são escolhidos de forma minuciosa para fazer a criança refletir e descobrir coisas que acontecem ao seu redor. Porém, nada impede o mediador de adaptar parte de seu método de ensino, de acordo com a sua turma.

Cada roda procura trabalhar em 12 encontros – sendo um encontro por semana – com 12 participantes, número considerado ideal para um bom trabalho em grupo. “A fundadora do projeto (Geniantis) concluiu que, em um encontro que dura cerca de uma hora e meia, um mediador consegue trabalhar de forma efetiva com 12 pessoas, na qual todos conseguem expressar e compartilhar suas ideias”, afirma a jornalista e uma das coordenadoras da Tp1, Christina Mattos.

Os mediadores também possuem a autonomia de escolher o local de trabalho. Este é o caso da professora de Artes e Língua Portuguesa Gracielle Selicani, que decidiu trabalhar as Rodas de Leitura com crianças do Projeto Vista Bela, na zona norte de Londrina. “Eu vim da periferia, onde as pessoas não viam perspectiva de mudança. No colégio tive professores que me disseram que você pode sonhar e ver uma outra realidade, o que pra mim veio através dos livros”, disse. “Hoje eu vejo aqui uma carência deste sentimento de mudança, então procuro trabalhar em cima disso”, completa a professora, que está em seu quinto encontro com as crianças.

Assim como Gracielle, a fundadora do Projeto Vista Bela, Joseleide Aparecida Baptistella, acredita que as Rodas de Leitura reforçam a ideia de uma outra realidade para os pequenos. “É fantástico (o projeto) porque desperta a curiosidade deles. Através dos temas que são abordados, eles começam a ter sonhos, porque veem nos livros casos de superação”, comenta. Funcionando há pouco mais de um ano, o Projeto Vista Bela atende cerca de 250 crianças. O local conta com um espaço de leitura e recreação, computadores com acesso à internet e um acervo de mais de 7 mil livros.

Ao fim dos 12 encontros previstos no roteiro os mediadores possuem três opções; continuar no mesmo local e iniciar um projeto de maior abordagem educacional; trocar de turma e trabalhar em um espaço diferente ou iniciar uma nova Roda.

Invadindo as salas de aula

Uma das responsáveis por trazer o as Rodas de Leitura para a cidade, Christina ressalta que o projeto está buscando se inserir nos sistemas estaduais e municipais de ensino. Segundo ela, a demanda já existe por parte das diretorias das escolas, porém, falta a mão de obra por parte da associação. “A intenção é de colocar a Roda de Leitura nas aulas de português. Mas não temos a quantidade necessária de mediadores”, diz. Seguindo o método de trabalho, se um mediador trabalha com 12 participantes, para uma sala de aula com 40 alunos seriam necessários, no mínimo, três mediadores. A intenção é realizar um novo treinamento de mediadores no fim de agosto.

Além da Roda de Leitura no conjunto Vista Bela, o projeto também é realizado em outros dois locais: na Paróquia Nossa Senhora do Carmo (zona sul) e também na Casa do Caminho (zona leste).

*Mais informações com a associação Todos por Um, Christina Mattos, pelo telefone (43) 99156-9145 ou pelo e-mail [email protected]

Por Edson Neves

 

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