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O amor não se esquece de ninguém

Palestra no auditório da Catedral citou os desafios de familiares e cuidadores de pacientes com Alzheimer

Em alusão ao Setembro Lilás, diversas atividades ocorrem em Londrina a favor da conscientização e compreensão sobre o Alzheimer, doença crônica e degenerativa que atinge mais de um milhão de pessoas em todo o país, em sua maioria idosos com mais de 65 anos.

Na última sexta-feira (15), o auditório da Catedral Metropolitana de Londrina foi local de um encontro de cuidadores de idosos com Alzheimer. A palestra de tema “Setembro Lilás – Porque eu me importo” foi ministrada pela presidente do Instituto Não Me Esqueças, Elaine Mateus. O Instituto tem a missão de defender os portadores da doença, assim como os seus familiares e cuidadores. As ações do grupo começaram em 2015, porém a sua institucionalização ocorreu apenas em março deste ano.

Elaine comentou que a ideia partiu de quando sua mãe foi diagnosticada com o Alzheimer, em 2012. “Minha mãe era uma mulher muito extrovertida, e de uma forma precoce mudou o seu comportamento. Durante dois anos ela foi diagnosticada erroneamente com depressão e com o novo diagnóstico eu, por ser professora, senti falta de saber mais sobre o Alzheimer”, afirma.

Questionada por uma participante sobre o conhecimento do paciente sobre a doença, a presidente do Instituto aconselhou positivamente a ação. “É importante que o paciente conheça o diagnóstico e acredito que esta seja uma decisão para a família tomar em conjunto. Por mais difícil que seja, quanto mais conhecer da doença, maior será a coragem de contar”.       

Já para os familiares e cuidadores de idosos com a doença, também existem medidas preventivas para manter-se física e emocionalmente saudáveis. Elaine comenta que além de conhecer mais da doença, os responsáveis pelos portadores de Alzheimer devem falar abertamente sobre os seus sentimentos, mantendo contato com os médicos e também com outras pessoas que lidam com a mesma situação, buscar ajuda espiritual e estabelecer atividades rotineiras.

“Encoraje o seu familiar a fazer o máximo de atividades com independência, mas estejam atentos ao conforto dele. Sejam sensíveis e respondam com calma às emoções. É necessário paciência para lidar com as mudanças de comportamento”, completa. “E o mais importante: faça tudo com amor, porque ele não se esquece de ninguém”, conclui a palestrante.

O diagnóstico do Alzheimer deve ser feito por um médico ou especialista nas áreas de Geriatria, Neurologia ou Psiquiatria. Em Londrina, quatro locais realizam consultas deste tipo: o Ambulatório de Neurologia Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL); o Ambulatório de Neurologia do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e os Ambulatórios de Geriatria e de Neurologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC).

Além de palestras, o Instituto Não Me Esqueças oferece também ações com psicólogas, mas ressalta que o trabalho realizado não substitui o diagnóstico e o acompanhamento médico.

As atividades da campanha “Porque eu me importo” seguem até o dia 29 de setembro. Clique aqui e confira toda a programação.

Sobre o Alzheimer

O Alzheimer é o tipo de demência mais comum causada pela morte de células do sistema nervoso. A doença afeta a capacidade das pessoas se lembrarem das coisas, pensarem com clareza e tomarem decisões comuns do cotidiano. A doença atinge, em sua maioria, pessoas com 65 anos ou mais, porém não se restringe a nenhum grupo étnico ou socioeconômico.

Causas

Pesquisadores e especialistas da área da saúde não chegaram à uma resposta exata das causas da doença, mas concordam que uma série de fatores como idade, genética, ambiente, estilo de vida e condições médicas coexistentes estão atreladas a um possível desenvolvimento do Alzheimer.

Sintomas

O indivíduo com Alzheimer pode desenvolver em graus diferentes cada um dos sintomas abaixo:

– Perda de memória que ocasione em dificuldade em completar tarefas familiares e rotineiras;

– Desafios em planejar ou em resolver problemas;

– Confusão com tempo e lugar;

– Dificuldade para compreender imagens visuais e relações espaciais;

– Problemas novos com palavras na fala ou na escrita;

– Colocação de coisas em lugares indevidos e perda da capacidade de se lembrar dos passos para encontrá-los novamente;

– Julgamento comprometido, como no uso inadequado do dinheiro ou no cuidado com a higiene pessoal;

– Afastamento do trabalho ou das atividades sociais;

– Alterações no humor e na personalidade;

Prevenção

– Atividade física: uma atividade física regular pode reduzir em 50% a chance de uma pessoa ter Alzheimer;

– Evitar a ingestão de carboidrato simples, como arroz, batata e bolacha: reduz a chance de Alzheimer em 30%

– Atividades sociais e intelectuais, como frequentar grupos de ginástica ou aprender uma segunda língua: podem retardar o aparecimento da doença em até cinco anos.

Por Edson Neves

 

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