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Caminhos da conversão

O apóstolo Paulo percorreu 15 mil quilômetros durante 30 anos, na região do mediterrâneo, pregando os ensinamentos de Cristo como resposta aos anseios das pessoas.

             Seguindo para Damasco, cidade localizada em território sírio desde aquela época, Saulo teve um encontro decisivo com Jesus, após a ressurreição. Conforme nos narra Lucas, nos Atos dos Apóstolos (9,1-18), o então fariseu, perseguidor de cristãos, estava a caminho das sinagogas para prender e executar discípulos do Senhor.

Enquanto viajava, uma luz vinda do céu o envolveu. Saulo caiu por terra ouvindo uma voz que lhe perguntava “Por que me persegues”? Jesus revelou-se e orientou: “Levanta-te, entra na cidade, e te dirão o que deves fazer”. Ele ergueu-se do chão completamente cego, e foi guiado até Damasco onde passou três dias sem comer e sem beber.

Um discípulo de Jesus, chamado Ananias, curou-o da cegueira impondo-lhe as mãos, deu-lhe de comer e o batizou. A partir de então, Saulo deixou de ser um caçador de cristãos para seguir e difundir os ensinamentos Jesus. Nascido em Tarso, na atual Turquia, Saulo teve uma educação sofisticada. Era filho de fariseus, mas também tinha cidadania Romana, e dominava o grego como segunda língua.

Passou a ser chamado Paulo (versão latina de seu nome) quando começou a pregar em território Romano. Usou seus conhecimentos a serviço do Caminho, nome como era designada a fé dos cristãos (At 19,8). Produziu 13 livros do Novo Testamento e tomou como missão difundir as práticas cristãs entre povos não judeus, chamados gentios. Paulo percorreu 15 mil quilômetros durante 30 anos, na região do mediterrâneo, pregando os ensinamentos de Cristo – não como estudos teológicos, mas como respostas aos anseios das pessoas.

Foram três as grandes viagens missionárias de Paulo. Na primeira, iniciando por Chipre, cegou um feiticeiro diante do pro-cônsul que, maravilhado com a doutrina do Senhor, converteu-se. Esta passagem é narrada em At 13,9-11. Acompanhado de Barnabé, Paulo passou por Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Derbe e, por último, retorna a Jerusalém, onde se reuniu com outros apóstolos para discutirem as cerimônias judaicas e a dispensa de costumes previstos na lei de Moisés, como a circuncisão, por exemplo.

Encontramos detalhes deste encontro em Jerusalém na Epístola aos Gálatas, em que Paulo ensina que “Deus não faz acepção de pessoas” e que por isso lhe foi confiado o evangelho aos não-judeus. Nesta passagem, ele repreende Pedro, que vivia como os gentios, mas mudava de comportamento na presença de fariseus, por medo de perseguições. “Nós somos judeus de nascimento e não pecadores da gentilidade; sabendo, entretanto, que o homem não se justifica pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo” (Gl 2,15-16).

Para a segunda viagem, Paulo partiu acompanhado de Silas e Timóteo. Foi preso duas vezes durante este período, estimado entre os anos 50 e 52. Na Macedônia (At 16,16-40), então colônia Romana, Paulo exorcizou um espírito de adivinhação que perseguia uma escrava. Os patrões da moça, que lucravam com o oráculo, denunciaram os discípulos acusando-os de perturbarem a ordem em Roma propagando costumes ilícitos. Foram açoitados e encarcerados, mas oravam à meia-noite na prisão, de modo que outros presos os ouviam. Acabaram por converter o carcereiro e, no dia seguinte, foram soltos.

O grupo passou por Tessalônica, Atenas e Corinto. Lá, judeus levaram Paulo aos tribunais novamente. Mas o governador o libertou, alegando que questões de leis religiosas judias não lhe eram pertinentes. Depois disso, o apóstolo partiu para a Síria, de onde iniciou a terceira grande viagem missionária, passando por Éfeso, Trôade e Mileto.

Pelas mãos de Paulo, Deus operava milagres (At 19,11) e isso atraia um número cada vez maior de fieis. “A palavra do Senhor crescia e se firmava poderosamente” (At 9,20). Ao mesmo tempo, aqueles que sobreviviam do comércio de imagens e cultos aos deuses gregos temiam perda de prestígio e de dinheiro. Sobretudo Judeus também conspiravam contra ele.

Em Jerusalém, Paulo foi linchado, acusado de profanar o Templo por converter gregos e desestimular o cumprimento da lei judaica. Estava para ser morto quando soldados o prenderam e o escoltaram. Enquanto era levado para o cárcere, pediu a palavra e dirigiu-se ao povo, em hebraico, contando toda sua história, da infância até a revelação de Jesus ressurreto na estrada de Damasco. Falou ainda sobre o chamado para a missão evangelizadora entre os gentios. Mas a multidão pedia sua morte e judeus chegaram a fazer greve de fome até que pudessem assassina-lo.

Com isso, Paulo foi transferido para outra prisão, em Cesareia, de onde apelou a Cesar.  Quando o conduziam a Roma para julgamento, em sua quarta e última viagem, o navio foi atingido por uma tempestade e, após quinze dias à deriva, aportou em Malta, onde permaneceram por três meses. Durante este período, o apóstolo pregou aos nativos e curou enfermos, deixando uma semente de evangelização e amor.

Em Roma, Paulo cumpriu prisão domiciliar. Podia receber visitas e “proclamava o Reino de Deus ensinando o que se refere ao Senhor Jesus Cristo com toda intrepidez e sem impedimento”, conforme relato de Lucas encerrando os Atos dos apóstolos. Na segunda epístola a Timóteo, Paulo fala sobre seu julgamento. Conta que na primeira vez em que apresentou defesa ninguém foi assisti-lo e afirma que já estava sendo oferecido em “libação”, ou seja, seria sacrificado.

Nesta carta está a célebre frase, usada inadvertidamente por muitos: “combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” (2Tm 4,7). É possível que ele tenha sido condenado à morte. Não há na Bíblia relato sobre a data, local e a maneira com que Paulo morreu. Sabemos, pela Tradição, que foi decapitado em Roma na mesma época em que o apóstolo Pedro teria sido crucificado de cabeça para baixo. A Igreja Católica celebra os dois santos no dia 29 de junho.

Por Lívia Oliveira

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