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Conversando com Papa Francisco

Livro traz trinta cartas, com perguntas de crianças do mundo inteiro, e as respostas do pontífice.

Quando eu abri o presente que meus tios avós me deram fiquei curiosa. Era um livro chamado Querido Papa Francisco. Achei interessante os padrinhos de batismo da minha mãe também se preocuparem com a minha formação religiosa.  Comecei a ler que o Papa Francisco tinha a dizer às crianças e não consegui mais parar. Já reli três vezes. Além da sabedoria das repostas, gostei de ver os desenhos feitos pelos próprios autores das cartas e de conferir a caligrafia em cada língua original com as respectivas traduções. Explico…

Crianças de 26 países, de cinco continentes, enviaram cartas para o Papa Francisco. Dezenas de voluntários ajudaram a reunir 259 cartas escritas em 14 idiomas. No livro da Edições Loyola, 30 cartas e suas respostas foram publicadas em sua forma original, mas acompanhadas de tradução. O próprio Papa teria classificado as perguntas como “difíceis”, e eu também fiquei imaginando a reação dele ao receber questionamentos como este: “Deus não pode dar comida para as pessoas pobres como ele fez quando alimentou 5 mil?”

Em alguns casos, os desenhos ajudam a interpretar o sentimento contido em cada uma das cartas. A ilustração da capa foi feita por uma criança da Bélgica. O Brasil está representado por Ana Maria, 10 anos, que perguntou: “Por que você acha que as crianças devem fazer catequese?” A resposta do Papa é simples: “para conhecer Jesus”. Mas Francisco lembra que não se conhece Jesus apenas estudando, mas também procurando por Ele em tudo o que a gente faz.

Algumas perguntas e desenhos me deixaram emocionada. Uma delas foi feita por um menino australiano, de 7 anos, que havia ficado órfão. Ele queria saber se a mãe criou asas de anjo ao ir para o céu. O Papa respondeu de forma carinhosa e direta que “não”. Mas explicou que o amor da mãe é eterno. Também foi reconfortante a mensagem de esperança para o Mohammed, da Síria, que tem apenas dez anos e perguntou se o mundo voltará a ser bonito como era antes.

Conforme eu avançava na leitura, sentia como se eu mesma estivesse conversando com o Papa Francisco. A linguagem dele é leve e simples. E confesso que encontrei respostas para dúvidas que eu também tinha. Por exemplo: “Nossos parentes falecidos podem nos ver lá do céu?” ou “O que é que Deus fazia antes de criar o mundo?”.

Achei algumas perguntas engraçadas. Uma garotinha de Cingapura quer saber por que o Papa usa “aquele chapéu alto”. Também tem muitas curiosidades sobre a infância de Jorge Mário Bergoglio (esse é o nome de batismo do Papa). Ele conta que queria ser açougueiro, que gosta de futebol e que gostava de dançar, de brincar de ciranda, e diz que não tem medo de chorar. Não posso detalhar muito, para não dar mais spoilers.

Querido Papa Francisco não é um livro só para crianças, toda a família deveria ler. Talvez muitos adultos também possam encontrar respostas para perguntas que têm vergonha de fazer. Pode parecer infantil, mas algumas questões são realmente profundas e reforçam a nossa fé. O próprio Papa confessa que nunca conseguiu entender por que as crianças sofrem.

A editora se comprometeu a doar parte da renda para as obras de educação e cultura da Companhia de Jesus destinadas a crianças pobres da Amazônia.

Por Beatriz Costa*

*Beatriz Costa tem 12 anos e está no quinto tempo da Catequese.

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