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O alerta do Papa Francisco sobre as fake news

O sumo pontífice revela a posição da Igreja diante de um problema moderno e chama a responsabilidade aos fiéis: que sejamos promotores da comunicação da verdade

Em um contexto de amplo acesso ao universo digital, um clique é suficiente para que informações inverídicas, imprecisas e distorcidas sejam atribuídas a pessoas públicas ou conquistem o status de verdade absoluta. Como uma espécie de vírus com grande poder de propagação, as chamadas fake news se espalham rapidamente pelas redes sociais e pelos grupos de mensagens, quase sempre impulsionadas pelas emoções imediatas que provocam. Munidas de títulos sensacionalistas e declarações bombásticas, as falsas notícias geram surpresa, indignação, medo e até mesmo compaixão, levando muitas pessoas a compartilharem o seu conteúdo sem questioná-las ou verificarem a confiabilidade de suas fontes.

Nem a Igreja é poupada dos boatos, que às vezes chegam ao absurdo extremo. Em abril deste ano, por exemplo, circulou nas redes uma nota que afirmava: “o Papa Francisco cancela a Bíblia e propõe criar um novo livro”. Há quem crie uma fake news desse tipo apenas por diversão, no entanto é comum que elas sejam utilizadas com propósitos políticos e econômicos: enquanto militantes se empenham em atacar a reputação dos adversários de seus candidatos, aproveitadores disseminam notícias falsas que chamam atenção dos usuários e funcionam como isca de cliques, os quais são convertidos em dinheiro por conta dos anúncios em páginas que possuem um bom tráfego de visitantes. É nessas motivações que mora o perigo: notícias são baseadas em dados inexistentes ou manipulados e colocados fora de contexto, visando tão somente influenciar opiniões e gerar lucros.

Por ocasião do 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no mês passado, o Papa Francisco declarou que deseja contribuir para que se previna a difusão de notícias infundadas e sejam redescobertos o valor da atividade jornalística profissional e a responsabilidade de cada indivíduo em promover a comunicação da verdade. O tema escolhido para a data foi “Fake news e jornalismo de paz”. No texto, o Papa deixa claro que um jornalismo de paz não significa “um jornalismo bonzinho, que negue a existência de problemas graves”, mas sim um jornalismo comprometido na busca das causas dos conflitos e que indique soluções possíveis, estando a serviço das pessoas para ajudá-las na compreensão da realidade em que vivem.

Para discernir a verdade, segundo o Papa, é preciso examinar se o que está sendo dito favorece o bem e o altruísmo, ou tende a causar divisões. É necessário o entendimento de que o consumo de falsas notícias tem o seguinte fator: atrás das telas de seus smartphones e computadores, as pessoas encontram-se cada vez mais impermeáveis a perspectivas e opiniões diferentes. São atraídas a acreditar, portanto, naquelas informações que confirmam ou correspondem às suas crenças e concepções, ainda que estejam apoiadas em estereótipos e preconceitos generalizados no seio de certo tecido social. Descartam tudo o que contradiz a sua visão de mundo, sem estarem abertas ao diálogo construtivo e ao confronto sadio com outras fontes de informação.

Francisco ainda comparou as fake news com a história bíblica de Adão e Eva, quando a mulher foi tentada a comer uma maçã no Jardim do Éden a partir de uma notícia enganosa criada pela serpente, destacando que nenhuma desinformação é inofensiva. Pelo olhar cristão, Jesus é a própria verdade (Jo 14,6), e somente a verdade liberta o homem (Jo 8, 32). Assim sendo, não pode faltar na postura dos que seguem a Cristo a libertação da falsidade e a abertura para a reflexão consciente e madura gerada a partir da escuta e do relacionamento com aqueles que apresentam pensamentos divergentes. Em ano de eleições no Brasil, é importante o cuidado redobrado com a veracidade das notícias, para não se deixar induzir por estratégias que fomentam a desunião em razão de interesses políticos.

Somos levados pelas palavras do Papa à reflexão de que o melhor antídoto contra as falsidades são as pessoas que “livres de ambição, estão prontas para ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem”. Que, guiados pelo Espírito Santo e colocando em prática o dom do discernimento, sejamos nós essas pessoas que abrem vias de comunhão e de paz!

Por Nathalia Corsi

Foto Andrew Medichini

Leia a mensagem completa do Papa Francisco no site do Vaticano aqui

 

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