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Semear o amor é vocação

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À frente da turma do quarto tempo da catequese, Ricardo e Valéria Amin pedem para que os adolescentes abram a Bíblia em Marcos 4, 30-32. É a parábola do grão de mostarda. Uma das menores sementes da Terra que, se plantada com cuidado, “cresce e deita grandes ramos, a tal ponto que as aves do céu se abrigam à sua sobra”. O grão de mostarda é comparado ao Reino de Deus. Revelada a mensagem, o casal de catequistas entrega um grãozinho de mostarda nas mãos de cada participante do encontro e ensinam que as boas ações, mesmo que pareçam pequenas, podem se transformar em grandes obras.

Ricardo e Valéria são casados e atuam como catequistas há 11 anos. Quando começaram, Dom Orlando Brandes ficou encantado com a ideia de ter um casal trabalhando em sala. “Segundo ele, nós éramos os primeiros a assumir juntos turmas de catequese”, lembra Valéria. O médico e a ex-professora de biologia sentiram o chamado para essa vocação quando participavam de um movimento de equipes na Paróquia Coração de Maria.

Quando os dois começaram, tinham duas filhas pequenas, de 6 e 4 anos. A caçula, Maria Júlia, tornou-se catequista também no início deste ano, a convite de um amigo. “Faz pouco mais de um ano que recebi o sacramento da Crisma, por isso fiquei um pouco insegura. Mas recebi apoio e estou gostando bastante”. A família dedica todas as manhãs de sábado ao ensino da Bíblia e da liturgia da Igreja Católica.

Na Paróquia São Vicente de Paulo, 76 catequistas atendem 850 crianças e adolescentes. As salas ficam cheias às terças, quintas e sábados. Os encontros são divididos em 5 etapas, chamadas de “tempos”. Cada tempo dura um aproximadamente um ano e deve trabalhar conceitos estabelecidos pela coordenação em um itinerário catequético. Para manter a unidade e sintonia entre conteúdos e atividades desenvolvidas, a coordenação geral conta com a ajuda de cinco coordenadores, cada um responsável por um tempo.

“A catequese é compreendida como um processo do despertar, aprofundar e amadurecer a fé de crianças, jovens e adultos, abrindo-lhes o coração e conduzindo-os para um apaixonar-se por Jesus”, explica a coordenadora geral Silvana Martins Cavicchioli.

No primeiro tempo, crianças a partir de 9 anos aprendem sobre o amor de Jesus. Nesta fase elas são muito receptivas e o foco é essa aproximação com o nosso Salvador. No segundo tempo, trabalha-se o conceito de amor ao próximo, a Santíssima Trindade e a oração do Pai Nosso. No terceiro tempo, aprofunda-se a fé com estudos sobre os Sacramentos e os Dez mandamentos. Também é hora de se reconciliar com Deus, refletir sobre o pecado, e de se preparar para a primeira Eucaristia.

Do quarto tempo participam crianças que já fizeram a comunhão. Elas chegam com certo nervosismo e ansiedade para esta nova etapa. “A responsabilidade agora é maior, pois recebemos o Corpo de Cristo”, revela Ana Luiza dos Santos Melo, 12 anos. Eles também aprendem sobre o ano litúrgico e a oração do Creio. O quinto tempo coroa todos os outros com o amadurecimento da fé dos adolescentes, para que estejam prontos para a confirmação do Batismo.

Mas a coordenação ressalta que a catequese não é apenas uma preparação para os Sacramentos, mas um percurso de conhecimento. “O catequizando conhece melhor a Jesus, tem um encontro pessoal com Ele e faz Dele seu melhor amigo. Assim, esse processo catequético desemboca na celebração dos sacramentos, como um momento culminante da participação no mistério de Cristo”, explica Silvana.

Ensinando sobre Jesus, os catequistas também estão plantando uma semente no coração das crianças. Rejane Bastos é catequista há 4 anos e aceitou essa missão como forma de ajudar pais e mães a cultivar o cristianismo em casa. “Quero retribuir tudo o que Deus fez e faz pelos meus filhos e conquistar as crianças pelos atos de amor e por tudo o que Jesus representa”, reflete.

A maioria dos catequizandos começa a frequentar os encontros por orientação dos pais. Mas as dinâmicas são tão acolhedoras e lúdicas que a participação passa a ser desejada e esperada com ansiedade. “Às vezes eu tenho preguiça de acordar sábado de manhã”, confessa Gustavo Salvador, 12 anos, “mas depois que eu chego aqui, gosto das coisas que aprendo”. Para a Beatriz Crizotti, 12 anos, o mais legal é aprender sobre a Bíblia. “Eu espero a semana toda para vir à catequese”.

Alguns catequistas já tem uma formação teológica sólida e assumem a titularidade das turmas com facilidade, mas a maioria começa como auxiliar até adquirir experiência. Para dar apoio a esta vocação, a arquidiocese de Londrina conta com a Escola Catequética e com o aprofundamento na Casa de Encontros Emaús. Silvana Martins Cavicchioli lembra que ser catequista “não é um trabalho voluntário, e sim, vocacionado”.  E ela deixa um convite: “se você sente este chamado em seu coração venha juntar-se a nós, precisamos muito de catequistas”.

Por Lívia Oliveira

Fotos: Angelita Santini Niedziejko

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