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Uma educação inspiradora

A creche carrega o nome do santo que popularmente é conhecido como “casamenteiro”, mas Santo Antônio também tem outro título: lugar de formação de uma geração. O Centro Educacional Infantil Santo Antônio é um modelo a ser multiplicado. Não é por acaso que tem uma lista de espera de pais interessados.

A unidade atende crianças com idades entre dois e cinco anos e tem, ao todo, 202 alunos em meio período ou período integral. A CEI é filantrópica. Recebe verbas da Prefeitura de Londrina, conta com doações da comunidade, que ultimamente não são muitas, e ainda faz promoções. A estrutura que abriga as crianças é grande. A área verde no entorno do prédio de tijolinhos à vista chama a atenção e é um convite para atividades ao ar livre.

O contato com a natureza faz parte da rotina diária. Tem também o parquinho e a ludoteca, além de um galpão onde as crianças podem pintar as paredes revestidas com azulejos. Sem falar em outro prédio, que atende o berçário e alunos maiores. Toda essa estrutura fica na avenida Madre Leônia, no Jardim Bela Suiça, na mesma área onde estão o Asilo e a Paróquia São Vicente de Paulo.

Muitos pais procuram o Centro Educacional justamente por causa dessa estrutura privilegiada.  Mas é dentro da unidade que a formação das crianças acontece. Nas salas, cada uma com duas professores, os pequenos seguem o currículo da Educação Infantil, repassado pela Secretária Municipal de Educação. Eles aprendem a falar, perguntar, desenhar, ler, escrever, jogar. Tudo de uma maneira lúdica. As atividades são bem divertidas e estimulam a aprendizagem e o desenvolvimento.  Livros, música, dança e tinta são alguns dos instrumentos.

Reginaldo Pereira dos Santos é pai do Antony, de três anos. O auxiliar de serviços gerais conta que a evolução do filho foi grande depois que começou a frequentar a unidade. “Quando ele não tinha creche, só queria ver desenho e hoje ele tenta conversar”, observa. “Quando ele não vem, fica manhoso.  Pra ver como é bom, né? Se fosse ruim ele não iria querer ficar aqui.”

De uma maneira bem leve e colorida, as crianças são preparadas para encarar o Ensino Fundamental da melhor maneira possível. As atividades não direcionadas também fazem parte dessa metodologia. É quando os alunos soltam a criatividade e escolhem a brincadeira preferida. Pode ser no parquinho, na ludoteca, na sala, em qualquer lugar. Cada dia um espaço diferente!

Um projeto que faz parte da vida dos alunos e educadores é a marca da unidade. O modelo de aprendizagem, inclusive, serviu de embasamento para fundar a creche, em 2000, já que antes o local abrigava um lar, fundado em 1958. Uma das primeiras experiências com o novo método aconteceu aqui na unidade.  No projeto Conte Outra Vez, criado pela psicóloga e psicanalista Eliana Louvison, histórias clássicas são usadas como recurso para desenvolver valores éticos e sociais nas crianças.

Mergulhando no mundo de Chapeuzinho Vermelho, nas aventuras dos Três Porquinhos, nos desafios de João e Maria e até nas dificuldades do Patinho Feio, a imaginação é estimulada e tudo isso contribui para o amadurecimento.  Os contos são encenados por eles mesmos e as turminhas vivenciam diversas experiências. Na história da Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, os alunos trazem de casa várias embalagens vazias para colocar na cesta de doces. O caminho até casa da vovó da personagem é feito do lado de fora da creche, simulando a floresta. Tem o encontro com o lobo. Depois a chegada do lenhador.  E, assim, todo cenário vai sendo construído e vários sentimentos vão sendo experimentados.

Com a narrativa, as crianças aprendem a não confiar em estranhos, já que o lobo enganou a Chapeuzinho Vermelho; a não desobedecer aos pais, pois a mãe da Chapeuzinho disse para ela, antes de sair de casa, que não saísse do caminho indicado; além de muitos outros ensinamentos.  Segundo a coordenadora da creche, Shirley Obara, a prática ajuda na formação dos primeiros anos de vida.  “As histórias são contadas diariamente. Com elas trabalhamos todos os eixos para o desenvolvimento da criança. Cada professora já faz a dramatização, traz também o material. As crianças vão se envolvendo com a história e aprendendo. Elas chegam em casa e contam para os pais como foi, o que fizeram, o que apreenderam. É bem dinâmico.”

As 22 professoras da unidade têm formação pedagógica. Usando as histórias, elas ajudam a em evoluções como a do Lucca, de dois anos e sete meses. O menino chegou à unidade este ano. O pai dele, o músico Guilherme Imaia Araújo, diz que a mudança no comportamento do pequeno é grande. Hoje o Lucca já vai para a escolinha e não chora. “Ele é uma criança na dele, tímida, brinca bastante sozinho e melhorou muito na questão social, de ter outros amigos, de brincar com as crianças. Está falando bem mais, começando a sair da fralda. Então tudo isso evolui de uma maneira mais rápida”.

A experiência com o projeto já tem 18 anos e deu tão certo que virou tema de um livro de Eliana Louvison: ”Conte Outra Vez – Histórias Infantis para Formação das Crianças”. Na época, para a metodologia ser implantada na unidade, houve o apoio das irmãs Claretianas. Atualmente, a Irmã Neuza Aparecida da Silva é diretora da creche. E a Irmã Dalziza Sarti é a responsável pelas refeições. Ambas desenvolvem um trabalho atencioso. Aliás, a alimentação também ajuda no conhecimento. E a quantidade de refeições servidas na cantina chama a atenção.

Talita Mendes dos Santos é vendedora autônoma e mãe da Julia, de quatro anos.  A pequena passa, em média, oito horas por dia na creche. Chegou esse ano, já que a mãe precisou tirar a criança de uma unidade particular por causa do alto custo. “Ela tem o café da manha, o lanche, almoço, café da tarde e até uma janta”. Todos os dias ela busca a Julia por volta das quatro e meia da tarde.

A participação da família é fundamental nesse processo de aprendizagem.  A coordenadora da creche diz que a comunicação entre os dois lados é essencial. “A gente conversa com os pais. Porque muitas vezes está acontecendo alguma coisa em casa e está refletindo no comportamento da criança. A gente já logo comunica a família e quer saber o que está acontecendo. O contato é direto”, conta a coordenadora. O ambiente escolar é um lugar onde se aprende as lições da vida e se cultiva a fraternidade e a caridade.

Apesar de o centro educacional ser dirigido por freiras, a unidade tem alunos de várias religiões. Com um olhar em uma sociedade mais humana, aqui são cultivados propósitos valiosos.  Mais do que abrir a janela da sabedoria, a equipe busca formar corações. “A gente reforça a parte de saber lidar com o outro, o companheirismo, a amizade, a cooperação.  Queremos formar um cidadão melhor nesse nosso país. “A gente ensina as crianças a ter gratidão pelo alimento, pelos brinquedos”, finaliza a coordenadora.

Por Juliana Lucilha

Fotos: Angelita Niedziejko

 

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